Para fazer tudo, deve-se fazer nada
O problema nunca foi fazer pouco. É não aguentar o desconforto de tentar fazer o que você mesmo propôs.
convenhamos: você acha que vai conseguir estudar por 3 horas seguidas, planeja fazer X, Y, H e J, e no final não faz nem a metade de X. (estamos levando em consideração um cenário onde você tem tempo e energia de sobra) e nem sabe por quê. fica se indagando incessantemente, se torturando ferozmente pelo fracasso, se culpando e bradando até os pardais que cantam do lado de fora da sua casa. fica mal humorado por tempo demais, até no final se aceitar como é e tornar o abismo do decaimento intelectual algo tão comum quanto o andar de cada cidadão no mundo. desiste e aceita o fracasso como mãe, e a desculpa como pai.
mas na realidade, você só está desacostumado a fazer algo difícil, ou qualquer coisa desconfortável pro seu cérebro.
e sabe qual é a salvação? a resposta é ínfima e primordial, pois você já viu ela: não fazer nada, e também fazer quase nada. ok... como assim? agora deve estar me bradando com desdém.
o segredo é reservar um tempo onde você estaria fazendo algo totalmente inútil, como comer vendo alguma coisa ou ficar horas no tiktok, e reservar pelo menos 20 min do dia pra fazer nada, sem estímulos alarmantes. e se quiser ainda melhor, escreve algo depois desse tempo: 20 ou 10 min fazendo nada, 10 min escrevendo no papel. e depois disso, tenta estudar, tenta fazer algo produtivo de novo, e vai ver que a mudança é gritante.
pensa comigo: você tem estímulo 24 horas por dia, e automaticamente busca o caminho fácil e menos doloroso. no estudo, na tarefa difícil, isso vai aparecer cada vez mais difícil e enfadonho, cada vez mais como tortura, mais do que um bloco de 25 min ou abrir o caderno. porque você simplesmente não está acostumado.
é isso que eu recomendo: preparar antes de usar. fazer nada antes de fazer tudo. porque pensa: como você vai fazer algo se não consegue nem fazer nada?
não tô falando de dormir, de escutar aquele funkzão. tô falando de olhar pra parede, de se aprofundar na sua própria mente. não é meditar. tô falando de fortalecer, de abrigar conhecimento suficiente pra que no futuro você não se sinta aquém de si mesmo. pra que no futuro o estudo e a atividade difícil se tornem parte de você, e não uma batalha.